Rua do Rasqueado mantém viva cultura cuiabana no Centro Histórico

August 26, 2019

Baixando a rua do calçadão, três senhoras no salto desciam logo a frente conversando animadas. Eram 18h, o comércio fechava e enquanto trancava a porta, uma jovem respondia pra colega ‘o som é do festival de lambadão’. Na praça Caetano Albuquerque o quadro de outrora começava a ser composto, as cadeiras de plástico em frente as casas antigas, o espetinho assando, a cerveja suada e o rasqueado tocando.

 

Primeiro: sua benção, São Benedito. O hino do santo negro ecoou do trombone. Mestre Bolinha ficaria orgulhoso. Mais de uma vez foi lembrado com saudoso carinho por músicos e plateia. Sua memória é vida, assim como o ritmo que dedicou seu dom musical foi na noite da última quinta-feira (22) na praça Caetano Albuquerque, no Centro Histórico de Cuiabá. Completando 26 anos, a via do ritmo, Rua do Rasqueado é como o filho que a casa torna.

 

“Hoje nesta praça, temos a oportunidade de resgatar este projeto, de trazer ao palco aquilo que nós temos de mais rico na nossa cultura, que é o rasqueado. Sem dúvida alguma, ter este projeto como projeto coletivo aprovado pelo Conselho, sendo referência na área da música para Cuiabá nos seus 300 anos, com a praça revitalizada pela gestão, com obras sendo executadas nos patrimônios históricos de Cuiabá, pra mim, para o Justino, para o prefeito Emanuel Pinheiro é muito importante”, disse o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Francisco Vuolo.

 

Não tem como falar da “Rua do Rasqueado” sem falar de Guapo. O autor do projeto, que hoje é executado via edital FUNDO/2019 da Prefeitura de Cuiabá, lembrou do primeiro baile dançante organizado por ele com apoio do ex-governador Dante de Oliveira.

 

“Tinha um bar ali do lado, foi ali que começou”, dizia Guapo apontando duas ruas acima, no calçadão do Centro Histórico, na Ricardo Franco, rua do meio como chamam. O bar em questão era o “Hora Extra” e o ano 1993. Depois de um hiato de 10 anos, o festival voltou ao Centro Histórico para a praça Caetano Albuquerque em 2004 e em 2019, após não ter sido realizado no ano passado, retorna como projeto aprovado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo.

 

“Guapo, você é um gigante, você é uma pessoa aguerrida, que não se rende, que sabe lutar por aquilo que acredita, e tudo aquilo que se faz com amor, ao final se sai vitorioso. Então em seu nome eu cumprimento a todos da família do rasqueado e do lambadão, que se junto numa grande corrente para fortalecer a cultura e a tradição cuiabana. E como cuiabano que sou, como o Prefeito cuiabano que é, com o Conselho que veste as nossas raízes, não poderíamos deixar de lançar esse projeto”, finalizou Vuolo.

 

Pra sapiar ou pra dançar? A arquitetura da praça é democrática, com pista de dança ao centro e com parapeito para os que querem observar o movimento. Sapiando das mesas estavam Vera-Zuleika, a dupla ‘Cuiaboca’ mais cultural da praça. Vera Baggetti é carioca da gema, deixou a praia pelo cerrado há mais de 30 anos. Zuleika Arruda é cuibana de tchapa e cruz, de família simbólica pra cultura local. As duas juntas são compositoras consagradas de rasqueado e cultura popular mato-grossense. Que cuiabano não conhece “eu tenho orgulho de ser cuiabano, de tchapa e cruz, confesso e não me engano, moro na pracinha, perto da prainha...danço rasqueado na casa de Bem-Bem, como bolo de arroz e de queijo também”?

 

“É uma grande importância [a Rua do Rasqueado], é a identidade do povo que tem que ser preservada. O povo que perde a identidade é sem memória. É igual o samba no Rio, o frevo em Olinda. Isso aqui é realidade. O rasqueado não é folclórico, é música popular brasileira. Se tiver uma constância o povo vem. Fica igual a lapa no Rio de Janeiro”, comentou Vera. Em 2007 Zuleica escreveu o livro “O que é o rasqueado?” com bibliografia brasileira. A dupla conta que foi doado um exemplar para cada biblioteca municipal de Mato Grosso.

 

A Rua do Rasqueado vai acontecer sempre às quintas-feiras até o dia 07 de novembro, em praças pelo Centro Histórico de Cuiabá. O projeto é o primeiro dentre os 51 projetos aprovados no edital FUNDO/2019 a ser executado. A Secretaria de Cultura publicou no último dia 09 de agosto o cronograma de desembolso em que se definiu para o mês de agosto o pagamento dos projetos de música e artes visuais para projetos coletivos. O cronograma será tratado como prioridade pela Secretaria de Cultura e também pela Secretaria de Fazenda, por determinação do prefeito Emanuel Pinheiro. Ele segue até novembro, totalizando R$ 2,1 milhões em investimento em cultura na capital mato-grossense.

 

 

 

 

 

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